quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Caos

O engarrafamento que eu ignorei ontem em São Paulo veio me encontrar em Belo Horizonte. Demorei uma hora e quarenta minutos para chegar ao jornal (normalmente, gasto 20 minutos). Achei que tinha escolhido o pior caminho - a Via Expressa - onde um acidente e uns três carros quebrados deixaram tudo intransitável. Pelo rádio, descobri que qualquer alternativa que eu escolhesse seria terrível: na Amazonas, tinha árvores caídas; na (ex-Nossa) Senhora do Carmo, uma cratera; na Raja, um outdoor caído; e por aí vai. Para completar, meia cidade sem luz - inclusive no jornal, onde a energia só voltou às 18h. O que vai chegar às bancas amanhã não é um jornal, é um milagre.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Quero uma vaga no governo - eu também não sei de nada

Eu tenho muita facilidade para dormir (e em qualquer lugar, como vocês viram alguns posts atrás). Hoje, não foi diferente. Entrei no avião em Congonhas e apaguei. Depois, fiquei sabendo pela Queila que ficamos parados cerca de meia hora até a decolagem ser autorizada. Ótimo, 30 minutos a mais de soneca. Nem vi o avião decolar. Acordei rapidamente e ele já estava no ar. Aproveitei para deitar a poltrona e continuei a dormir como se tivesse na minha cama, até que a aeromoça me acordou pedindo para voltar o encosto para a posição vertical porque estava na hora do pouso. Na saída, recebi um (isso mesmo, um!) "maxi cookie".

- Uai, porque estão dando isso?
- Deve ser porque não serviram o lanche.
- Não?
- Não teve jeito, né, Ana, com aquela turbulência...
- Ah.

Eu não vi turbulência nenhuma. E também não vi chuva e não vi engarrafamento, como já disse. Eu não vi nada, não sei de nada. Será que tem um lugarzinho no governo?

O dia em que São Paulo parou e eu andei

oje fui a São Paulo e só fiquei sabendos da chuva, dos alagamentos e dos engarrafamentos pelos comentários dos outros e pelos jornais da noite. Por incrível que pareça, o voo de ida saiu e pousou no horário em Congonhas. Eu ia para um hotel perto do aeroporto (cerca de 15 minutos), sem passar pelas marginais ou seus arredores. Tudo normal. Normal demais para ser São Paulo. Depois me disseram que aquela parte da cidade estava tranquila porque todo mundo estava parado do outro lado. Incrível o que acontece em uma cidade gigante. Incrível estar no lugar em que as coisas estão acontecendo e nem se dar conta.

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Do blog do Juca: "63 pontos de alagamento em São Paulo. Chuva fez mais pontos que o Palmeiras e estaria na Libertadores!" Eu juro que não vi nenhum ponto de alagamento. Na verdade, não vi nem chuva, sequer uma poça d´água. E antes que alguém faça a piada, não vi a vaga para a Libertadores também.

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Fui a São Paulo com a Queila para a final do prêmio CNH de Jornalismo Econômico. Infelizmente, não deu. Logo que anunciaram o resultado, fiquei meio decepcionada, mas logo, logo já voltei a ficar bem feliz por ter sido finalista no meio de 250 inscritos de todo o país. A luta continua, companheira. Ano que vem tem mais.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Corrida de obstáculos

Já saí meio atrasada de casa, mas não contava com a corrida de obstáculos no caminho. Um carro de auto-escola a 10 km por hora, uma coleção de buracos paridos pela chuva, um acidente na margem do Arrudas, um caminhão estragado na Tereza Cristina e obras na pista da via Expressa. UFa, cheguei.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Bolo de Fanta movediça

Como subitamente perdi a vontade de falar de futebol, vamos à receita de bolo. Eu estava fazendo uns 13 ou 14 anos e minha mãe e a tia Belinha resolveram fazer um bolo de Fanta que eu adorava. Mas, como era aniversário, não podia ser um bolo de Fanta qualquer, tinha que ser no capricho. Fizeram a receita dobrada e acharam que o dobro de Fanta era pouco. Colocaram bastante mesmo, tudo para me agradar.

O bolo ficou lindo, mas na hora do parabéns a vela começou a afundar naquele pântano de Fanta movediça. Cantamos bem rápido, para salvar pelo menos o pavio. Mas o pior ainda estava por vir. Na hora de partir o bolo, uma cachoeira laranjada jorrou pela mesa e inundou tudo. E hoje, minha prima Lu escreve pedindo a receita do bolo de Fanta. E eu sei lá? Coloca bastante Fanta em uma massa qualquer, providencia uma toalha impermeável para amenizar a sujeira e está tudo certo.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

O complô das coisas

Já falei aqui que o meu celular bateu as botas sem aviso prévio. Eu só não sabia que ele era o líder de um complô das coisas contra mim. Hoje, minha sandália arrebentou quando eu saía do jornal. Foi a segunda em menos de duas semanas. A tampa do compartimento de pilhas da minha máquina de retratos quebrou. O grill queimou. A alça da bolsa arrebentou. Para completar, depois de dois meses de calor enlouquecedor, hoje chegou um friozinho e eu descobri que todos os sapatos da Beatriz encolheram no armário e não servem mais. Dá para providenciar o 14º?

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Eu dormi na praça

Eu não dormi exatamente na praça, mas foi quase isso e me lembrei dessa música, daí o título do post. Dormi no banco da sala de embarque do aeroporto. Acordei às 4h30, cheguei ao aeroporto às 6h para um voo que sairia às 7h. Nesse horário, já embarcados, o avião começava a taxiar quando o piloto parou tudo para avisar que o aeroporto de destino estava fechado. Desembarcamos e ficamos mais de duas horas na sala de embarque no aguardo da boa vontade de São Pedro. Tempinho bom para tirar um cochilo. Mas quem manda viajar com fotógrafo?



A foto é do Pedro Silveira


Além de um fotógrafo paparazzi, ganhei também um segurança inesperado. O Pedro contou qeu quando tirou a câmera e apontou para mim, um cara que ele nunca viu na vida parou na frente da lente e perguntou se ele me conhecia e porque ele estava me fotografando. Ele explicou que a gente trabalha junto e tal e o cara disse "espero que seja verdade" e ficou espiando até a hora que eu acordei. Vai entender.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Maura Eustáquia, a visionária

"Uau! Quero ver a Maura jogar seu texto no lixo agora..." Foi assim que a minha amiga Anna me respondeu, diretamente dos Estados Unidos, quando eu contei a ela que era finalista do prêmio CNH. Essa frase me fez gargalhar e também perceber como a gente pode guardar uma mágoa por tanto tempo. Quinze anos, ou quase isso. Eu entendi perfeitamente o desabafo da Anna. Seria o mesmo meu, se eu tivesse me lembrado dessa história antes.

Maura Estáquia foi nossa professora na PUC, no primeiro ou segundo período de jornalismo. Na primeira aula, ela pediu que fizéssemos uma matéria. Não me lembro o tema, lembro apenas que tinha que ser em duas laudas (lembro disso porque eu não tinha a menor ideia do que era uma lauda e não tive coragem de perguntar). Não deu mais nenhuma instrução. Éramos praticamente crianças recém-saídas das redações do segundo grau. Eu tinha 17 anos. O resto da turma, tinha isso ou um pouco mais.

Na aula seguinte, Maura voltou com as matérias corrigidas. Em vez de distribuí-las a seus donos com os comentários ou críticas que julgasse pertinentes, jogou todas na lata de lixo e, usando toda a didática que aprendeu na escola, e todo o bom senso que acumulou na vida, disse que os textos estavam péssimos, abaixo da crítica, e foi mais longe: ninguém naquela sala servia para ser jornalista. Era melhor a gente aproveitar que estava no início do curso e procurar logo outra profissão para ganhar a vida, porque, como jornalista, ninguém tinha futuro. Até chegou a indicar o prédio ao lado, o da psicologia, porque "psicólogo é que faz relatório". E, para uma turma metade de olhos arregalados, metade de olhos marejados, disse que os textos ficariam ali, na lata do lixo, até que cada um fosse buscar o seu - embora nenhum merecesse sair dali.

E isso tudo estava no fundo da memória até ler a frase da Anna. A vingança saboreada bem friamente. Quase 15 anos depois de Maura Eustáquia ter traçado nosso destino bem longe do jornalismo, cá estou eu, que não servia para ser jornalista, numa redação, finalista de um grande prêmio nacional. A Anna, que também não servia para ser jornalista, está nos Estados Unidos, já mestre em comunicação e dando aulas em uma faculdade de comunicação por lá. A Liene, que também não servia para ser jornalista, está à frente da comunicação de uma grande empresa. Outros colegas estão em outros veículos de comunicação ou em assessorias. Visionária essa Maura Eustáquia.

A Tim foi até camarada comigo

A Tim até que foi camarada comigo. Eu tenho contrato de fidelidade com eles até o fim de janeiro por conta de um desconto que ganhei no início deste ano, mas mesmo assim, a moça do call center deu ouvidos às minhas preces por um novo celular por um precinho camarada. É verdade que o argumento principal não foram meus lindos olhos castanhos-iguais-ao-de-todo-mundo. O argumento cabal foi um providencial telefonema da Vivo tentando me levar para lá. É verdade que o telefonema aconteceu há uns dois meses, mas a moça do call center não precisava saber disso.

- É que a Vivo me ligou, sabe, mas eu preferi ligar para vocês antes, porque sou cliente há muito tempo...
- Qual a proposta que a Vivo fez para a senhora?
- É... bem... ham.... Pensa, Ana Paula, pensa...sai dessa, agora....Ééééé...Bom....Sabe o que que é? Eu não quis ouvir a proposta. Disse que estou muito feliz na Tim e que tinha certeza de que vocês resolveriam o meu problema.

Se colar, colou, né. E não é que colou? Meu novo celular chega em 15 dias e eu fico pagando R$ 11 por doze meses, para eles garantirem que eu não vou pedir mais nada até lá.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Do Prada ao trombolho com "équio"

Há mais de dois anos eu desfilava com um celular Prada por aí. Eu, o Papa e o diabo usando Prada, um luxo só. Claro que eu ganhei a gracinha, porque não ia fazer a gracinha de gastar meu salário todo num telefone. Por onde eu ia, ele chamava a atenção - mais no início, quando o touch screen ainda era uma coisa de outro planeta, mas até hoje ele não passava desapercebido. Digo, até ontem, quando ele morreu, que Deus o tenha, amém. Ele já vinha agonizando há algum tempo, mas ontem deu seu último suspiro, a tela simplesmente se recusou a responder ao meu toque e, sem a alternativa do teclado convencional, ele jaz inerte no criado mudo. Posso socar a tela quanto quiser que nada acontece. Então, coloquei as sandálias da humildade, peguei meu celular (se é que ele pode ser chamado assim) antigo e agora desfilo com um caquinho que não tem câmera, não tem bluetooth, não tem tocador de música, não aceita tons polifônicos, mas, no melhor estilo seu Creysson, tem algo que nenhum outro tem, o "equio". Eu falo e fico ouvindo o som se repetindo láááá longe. Além dessa, digamos, exclusividade, ele tem outra característica do Prada. Os motivos podem ser outros, mas o trombolho também não passa desapercebido.