Há mais de dois anos eu desfilava com um celular Prada por aí. Eu, o Papa e o diabo usando Prada, um luxo só. Claro que eu ganhei a gracinha, porque não ia fazer a gracinha de gastar meu salário todo num telefone. Por onde eu ia, ele chamava a atenção - mais no início, quando o touch screen ainda era uma coisa de outro planeta, mas até hoje ele não passava desapercebido. Digo, até ontem, quando ele morreu, que Deus o tenha, amém. Ele já vinha agonizando há algum tempo, mas ontem deu seu último suspiro, a tela simplesmente se recusou a responder ao meu toque e, sem a alternativa do teclado convencional, ele jaz inerte no criado mudo. Posso socar a tela quanto quiser que nada acontece. Então, coloquei as sandálias da humildade, peguei meu celular (se é que ele pode ser chamado assim) antigo e agora desfilo com um caquinho que não tem câmera, não tem bluetooth, não tem tocador de música, não aceita tons polifônicos, mas, no melhor estilo seu Creysson, tem algo que nenhum outro tem, o "equio". Eu falo e fico ouvindo o som se repetindo láááá longe. Além dessa, digamos, exclusividade, ele tem outra característica do Prada. Os motivos podem ser outros, mas o trombolho também não passa desapercebido.